Vereador e agente licenciado da Polícia Federal aparece em gravação imobilizando a companheira; repercussão também provocou pedido de abertura de processo na Câmara Municipal.
A situação envolvendo o vereador Júnior Féfin (União Brasil) passou a ser investigada formalmente pela Polícia Civil de Marília. A abertura de um inquérito ocorre após a divulgação de imagens nas quais o parlamentar aparece imobilizando sua companheira durante uma discussão dentro de uma residência.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e provocou manifestações de entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres, além de questionamentos sobre a conduta do parlamentar, que também integra os quadros da Polícia Federal.
Nas imagens, gravadas pelo próprio vereador, a mulher aparece no chão enquanto é contida pelas pernas do companheiro, na região do pescoço. Durante a gravação, ela relata dificuldades para respirar e reclama de dores em um dos braços.
O parlamentar, por sua vez, afirma que a companheira estaria descontrolada e pede que ela mantenha distância. Em determinado momento, a mulher consegue se desvencilhar.
Polícia Civil apura circunstâncias do episódio
Segundo informações, a mulher chegou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília após o ocorrido, mas não concluiu o registro da ocorrência naquele momento. Ela também teria buscado atendimento médico.
Com a instauração do inquérito, caberá aos investigadores esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, reunir elementos de prova e verificar se houve prática de crime.
A abertura da investigação não representa uma conclusão antecipada sobre a responsabilidade do vereador, que possui direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Repercussão chega à Câmara Municipal
Além da esfera policial, o caso poderá provocar consequências políticas.
Representantes do Comitê de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher de Marília apresentaram um pedido de abertura de Comissão Processante para avaliar possível quebra de decoro parlamentar.
A solicitação deverá ser analisada pelos vereadores na sessão prevista para segunda-feira (26). Caso seja aprovada, será iniciado um procedimento de apuração no âmbito do Legislativo, que poderá resultar em sanções, inclusive a perda do mandato, dependendo das conclusões e das votações previstas em lei.
A Câmara Municipal já havia informado que acompanha o episódio e manifestado repúdio a qualquer forma de violência, destacando que eventuais providências deverão respeitar os procedimentos legais.
Vereador também é agente da Polícia Federal
Júnior Féfin, cujo nome completo é Oswaldo Féfin Vanin Júnior, tem 50 anos e exerce seu segundo mandato na Câmara Municipal de Marília.
O parlamentar é agente de classe especial da Polícia Federal e, conforme informações divulgadas anteriormente, encontra-se licenciado das atividades na corporação desde que assumiu suas funções no Legislativo.
A situação funcional do servidor e a possibilidade de medidas administrativas na instituição também foram objeto de questionamentos encaminhados pela imprensa à Polícia Federal.
Féfin declarou que o episódio ocorreu em âmbito pessoal e que a situação havia sido resolvida.
O caso permanece sob apuração, tanto em relação às circunstâncias da gra’vação quanto às possíveis consequências jurídicas e administrativas.