A Concorrência: Vida Comum ou Vida Digital, por Gabriel Rastelli

É possível avaliar os benefícios e as dificuldades de se viver em cada época da história da humanidade. Muito do que se tem hoje é resultado de milhares e milhares de anos onde o homem, por tentativa e erro, vem melhorando e adaptando seu estilo de vida.

Evidente que hoje vivemos uma vida mais confortável em comparação com outras gerações e não precisamos ir muito longe para fazermos esse comparativo.

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Da mesma forma que os avanços são notáveis, os perigos também existem e diferem de outras épocas. Hoje existem armas de destruição em massa, tecnologias imperceptíveis a olho nu com uma precisão incrível.

E todo esse lastro de mudanças, adaptações e uma constante evolução nos trouxeram para um novo estilo de vida. Onde a socialização pode ocorrer pessoalmente (vamos chamar de vida normal) e virtualmente (chamaremos de vida digital).

A vida normal, com os relacionamentos do dia a dia, desde as conversas mais corriqueiras com os vizinhos até os assuntos mais elaborados de uma reunião no trabalho acontece em paralelo com um lifestyle digital, isso é inegável.

Os benefícios da vida comum como a discrição, a privacidade, a liberdade do comportamento mais informal que hoje são buscados pelas pessoas de maior fama são completamente abdicados pelas pessoas que almejam conquistar os holofotes.

Esse paradoxo lembra muito a definição de amor por Sócrates, onde amar é desejar, e o desejo reside na falta, isto é, para Sócrates só desejamos aquilo que não temos. Logo, os famosos buscam por uma simplicidade que tinham antes da fama e os anônimos sonham em obter os flashes e o reconhecimento por todos.

Uma vida low profile, literalmente um perfil discreto, tem sido deixado de lado conforme os passar do tempo. O mundo digital requer seguidores e quanto maior o número de likes, maior pode ser o número da conta bancária. Não à toa ouvimos a torto e a direita que hoje temos de nos posicionar digitalmente no mercado para sermos mais relevantes, mais conhecidos.

O resultado de uma busca incessante por validação, seja “na vida real” (só eu que acho esse termo engraçado ou vocês também acham?) ou na vida digital, pode trazer problemas para a saúde, física e mental. O equilíbrio, a medida certa, o razoável deve ser encontrado.

A vida é mais do que uma conta bancária, bem como é maior do que aquilo que se passa no mundo digital. Você não é menor ou maior por causa de seu CEP tão pouco pela quantidade de seguidores.

Como Gandalf disse uma vez no clássico Senhor do Anéis: A Sociedade do Anel: “A decisão é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”

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