Na última quarta-feira (11), a coletiva da presidente Leila Pereira no Palmeiras gerou descontentamento não apenas em Paulo Nobre, ex-presidente do clube. Um grupo de 26 conselheiros também expressou sua insatisfação em uma carta aberta divulgada nesta sexta-feira (13).
Na carta direcionada aos Associados, Sócios Torcedores e Torcedores do Palmeiras, os conselheiros relatam ter questionado os contratos de patrocínio da Crefisa/FAM e o transporte aéreo da Placar Linhas Aéreas, empresas das quais Leila Pereira é proprietária.
O texto enfatiza que os questionamentos foram feitos de forma respeitosa, mas que a resposta da presidente foi intimidatória e os segregou dos demais membros do Conselho Deliberativo.
A situação se agravou com a coletiva de imprensa convocada por Leila Pereira, na qual ela deveria esclarecer a relação contratual entre suas empresas e o clube. A presidente negou qualquer conflito de interesses de maneira abrupta, chegando a chamar os conselheiros de “destruidores”.
Os conselheiros reforçam seu compromisso com aqueles que os elegeram e afirmam que representam todos que amam o Palmeiras. Por fim, destacam que não se curvarão diante das vontades e ofensas da presidente, que tem o dever de prestar contas.
Leila Pereira, inclusive, deve estar presente na próxima reunião do Conselho Deliberativo, marcada para acontecer às 18h do dia 23 de outubro, nas dependências sociais do clube.
Confira na íntegra a carta aberta dos 26 conselheiros do Palmeiras
“Aos Associados, Sócios Torcedores e Torcedores da Sociedade Esportiva Palmeiras
Nós, os 26 CONSELHEIROS DA SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, “retaliados”, tolhidos de exercer com autonomia o mandato para representar o associado, defendendo os interesses da instituição, vimos, por meio desta, nos manifestar:
O simples ato de questionar é um direito inalienável do cidadão. Quando este exerce mandato outorgado por uma coletividade, esse direito se transforma em dever.
No cumprimento desse direito/dever, nós, CONSELHEIROS DA SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, fizemos indagações à PRESIDÊNCIA EXECUTIVA sobre os contratos de patrocínio da Crefisa/FAM e o transporte aéreo da Placar Linhas Aéreas, haja vista, fato excepcional e relevante, onde a presidente da INSTITUIÇÃO figura como representante da contratante e sócia-proprietária das contratadas.
Ainda que os questionamentos tenham sido colocados de maneira respeitosa, a presidente nos respondeu de maneira INTIMIDATÓRIA, nos SEGREGANDO dos demais membros do CONSELHO DELIBERATIVO, tangenciando as questões.
Essa mesma intimidação se escalonou com a entrevista coletiva convocada pela própria mandataria, na qual deveria esclarecer o funcionamento da relação contratual entre as empresas nas quais possui participação societária e a Sociedade Esportiva que preside.
Quando perguntada sobre o tema, se apressou em responder que não havia qualquer conflito de interesses e, de maneira grosseira, chamou os Conselheiros que ousaram questioná-la de “DESTRUIDORES”.
Esse episódio, assim como os anteriores, demonstram uma dificuldade no entendimento das atribuições estatutárias por parte de quem exerce a presidência, que administra, por tempo determinado, uma SOCIEDADE que não lhe pertence. Devendo, portanto, acrescentar em seu vocabulário termos como: CONTRADITÓRIO, RESPEITO e TRANSPARÊNCIA.
Reafirmamos o compromisso com aqueles que confiaram a nós o mandato de CONSELHEIROS e, representaremos também a todos que amam a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Por fim, não nos curvaremos aos caprichos, vontades, ameaças e ofensas daquela que tem o dever de prestar contas.
Contem conosco!”
Assinam a carta:
Adriano Tadeu Lívani Reale, Emerson da Rosa, Felipe Giocondo Cristovão, Francisco Vituzzo Neto, Genaro Marino Neto, Gerson Clemente Guarino, Guilherme Gomes Pereira, Guilherme Romero, João Carlos Minello, José Antonio Aparecido Junior, José Carlos Tomaselli, José Corsini Filho, Juan Manuel Berrospi Carreno, Luis Henrique Monteiro Fronterotta, Luciana Santilli, Luiz Fernando Marrey Moncau, Luiz Roberto Cassab Mousinho, Marcos Antonio Gama, Mauricio Pegoraro, Mauricio Vituzzo, Pedro José Vilar Godoy Horta, Ricardo Alberto Galassi, Ricardo Spinelli Poppi, Valdomiro Otero Sordili Filho, Victor Fruges e Vinicius Feres Zucca.
Por fim, leia mais O Mariliense