Promessas de Ano Novo: por que apenas poucas pessoas conseguem cumpri-las?

Com a chegada do novo ano, muitas pessoas se dedicam a criar resoluções e promessas. Essa prática, amplamente difundida, varia de objetivos como praticar exercícios físicos e melhorar relacionamentos familiares até abandonar hábitos prejudiciais ou iniciar novos projetos. Porém, apesar das boas intenções, um estudo da Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, revela que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir essas metas antes que mais um ciclo anual recomece.

Segundo Eduarda Basso, professora do curso de Psicologia da UniCesumar Curitiba, essa dificuldade está profundamente ligada a fatores emocionais, comportamentais e de planejamento. “As promessas fazem parte da essência humana, assim como o hábito de acreditar que algo pode mudar. O fim do ano traz consigo uma simbologia de renovação, de um recomeço com novas possibilidades. Isso gera, momentaneamente, motivação e engajamento para agir, mas, por outro lado, pode representar uma procrastinação, já que condicionamos as mudanças a um futuro incerto. Por isso, vale lembrar que o momento ideal para iniciar algo é sempre o agora”.

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De acordo com a especialista, as metas mais comuns incluem estar mais presente com a família, adotar hábitos mais saudáveis, praticar exercícios físicos ou iniciar um novo curso. Esses objetivos tendem a ser prioritários porque estão ligados à segurança, aceitação pessoal e senso de pertencimento. No entanto, a realidade de quem não alcança seus objetivos está muitas vezes relacionada à falta de planejamento estruturado e ao imediatismo. “Vivemos em uma época de pressa, onde esperamos resultados instantâneos. Promessas feitas sem um plano claro ou sem considerar as limitações práticas acabam virando um amontoado de palavras, que muitas vezes serão relembradas apenas no fim do próximo ano”.

Basso destaca ainda que cumprir metas exige mais do que determinação; é preciso autoconhecimento e constância. Para isso, ela sugere que as pessoas reflitam sobre suas promessas e se perguntem: “Essa meta depende apenas de mim?”, “Quais mudanças no meu ambiente podem me ajudar a cumpri-la?”, ou ainda “Quais passos práticos preciso tomar para alcançar esse objetivo?”. Ter clareza desses aspectos permite transformar intenções em ações concretas e sustentáveis.

Outro fator importante é construir formas de manter a motivação ao longo do ano. Revisar as metas mensalmente, celebrar pequenas conquistas e ajustar os objetivos durante o percurso são técnicas eficazes para evitar desistências. Além disso, o apoio de outras pessoas pode fazer toda a diferença. “Ter uma rede de suporte fortalece o processo e pode trazer novas perspectivas para enfrentar os desafios,” afirma a docente da UniCesumar.

Ferramentas digitais, como aplicativos de organização e produtividade, também podem ser grandes aliadas, mas a especialista alerta que, sem disciplina e rotina, o efeito dessas soluções é limitado. Por fim, ela reforça a importância de não esperar um evento para agir. “A vida está acontecendo agora. Ao invés de apenas prometer, o segredo é priorizar ações práticas, estar em movimento, experimentar, e não ter medo de recomeçar, sempre alinhando metas aos próprios valores”, conclui.

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