O ano de 2026 se desenha como um período de inflexão política. Será um ano de escolhas, de reposicionamentos e, sobretudo, de maturidade democrática. Em um cenário nacional cada vez mais polarizado, o desafio do eleitor brasileiro será a união e a capacidade de leitura crítica dos projetos apresentados. Em Marília, no entanto, o tabuleiro segue uma lógica própria, distante, em muitos aspectos, da narrativa nacional.
Aqui, no silencioso — e estratégico — jogo de xadrez da política local, as peças já começam a se mover. Grupos se reorganizam, lideranças reaparecem e novos nomes passam a ser testados nos bastidores. A grande pergunta que começa a ecoar é direta: teremos apenas três grupos consolidados ou o eleitor mariliense será surpreendido por novas forças neste pleito?
No grupo da situação, um movimento chama atenção. Abelardo Camarinha volta aos holofotes e sua presença gera desconforto interno. Até então, Rogerinho vinha sendo apontado como o principal nome para disputar uma vaga de Deputado Estadual dentro do grupo ligado ao prefeito Vinícius Camarinha. Contudo, como o próprio Prefeito afirmou recentemente em coletiva, “não tenho candidato ainda”, deixando claro que as decisões ainda estão em aberto e que o jogo está longe de ser definido.
Enquanto isso, a deputada estadual Dani Alonso segue em trajetória de crescimento na região. Com forte atuação territorial e presença constante, consolida-se como um nome competitivo para a manutenção de sua cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, figurando com naturalidade entre os principais players do cenário regional.
No campo liderado por Jean Garcia, o silêncio tem sido a principal estratégia — ao menos até agora. Tanto ele quanto Eduardo Nascimento são nomes com potencial para compor uma chapa forte, mas a ausência de movimentos mais visíveis começa a exigir uma postura mais ativa. Em política, quem demora demais a se posicionar corre o risco de ficar fora do centro do tabuleiro.
A esquerda mariliense, por sua vez, ainda busca unidade. Existe o desejo claro de lançar um candidato próprio para Deputado Estadual, alguns nomes são analisados, conversas avançam, mas até o momento falta convergência em torno de um nome único que consiga aglutinar forças e viabilizar competitividade real.
Quando o assunto é Deputado Federal, um dos maiores déficits históricos de Marília e região, o cenário ganha contornos ainda mais interessantes. A ausência de um representante genuinamente local em Brasília abre espaço para novas disputas e ambições.
No grupo de Dani Alonso, o nome do Capitão Augusto permanece blindado e consolidado, sem dar margem para o surgimento de outro nome com força semelhante dentro do mesmo campo. Já Juliano da Campestre aparece como um candidato relevante no espectro da direita, dialogando bem com sua base e ampliando gradualmente seu alcance político.
Jean Garcia, agora filiado ao Republicanos, também se coloca como um nome viável para a Câmara Federal. Empresário à frente de uma holding com mais de 27 empresas, demonstra articulação política e capacidade de composição, atributos essenciais para uma disputa nacional.
O grupo do prefeito Vinícius Camarinha segue como a grande incógnita. Rogerinho migraria para uma disputa federal? Haverá um nome novo? Qual será, de fato, a decisão estratégica do prefeito? As respostas ainda não estão claras.
E é justamente nesse espaço de indefinição que surge uma novidade que começa a ganhar força nos bastidores: Ulisses do Rodeio (Saruzinho). O jovem empresário do agronegócio desperta o interesse de um grupo político robusto e passa a ser citado como uma possível grata surpresa para representar Marília em Brasília. Com habilidade em negociações fora do eixo local e articulações em andamento, Ulisses desponta como uma alternativa nova, com discurso renovado e alinhado às pautas do setor produtivo da região.
O calendário eleitoral já impõe prazos. As eleições de 2026 acontecem no dia 4 de outubro, em primeiro turno, com eventual segundo turno marcado para 25 de outubro. A pré-campanha, período em que pré-candidatos podem se apresentar publicamente sem pedido explícito de votos, já está em curso e tende a ganhar força ao longo de 2025 e início de 2026. As convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026, e a campanha oficial começa em 16 de agosto.
Até lá, muito ainda pode mudar. Em política, quem se movimenta antes, pensa melhor o tabuleiro e entende o tempo certo de avançar costuma sair na frente. Marília, mais uma vez, será palco de disputas intensas — e, possivelmente, de surpresas.