Em tempos de eleição, é comum ver nomes conhecidos desfilando em outdoors, apertando mãos em feiras livres e prometendo “lutar pelo interior”. Mas vamos direto ao ponto: o que, de fato, um deputado ou deputada estadual deve ter para representar com seriedade uma região como a nossa?
Marília e as cidades do seu entorno já cansaram de ser apenas escada eleitoral. Precisamos parar de votar em nomes decorativos e exigir capacidade real de entrega. Porque representar não é só estar presente na foto — é saber onde colocar o dinheiro público, como defender os interesses regionais na Assembleia Legislativa e, principalmente, saber o que está fazendo.
Engana-se quem acha que deputado estadual é só para “pedir emenda” ou fazer discurso em palanque. O parlamentar tem como função principal legislar. Isso significa: estudar projetos, alterar leis estaduais, fiscalizar o orçamento, convocar secretários, abrir CPIs e mais.
Sem preparo técnico, vira um “leitor de pauta”. É preciso entender o funcionamento da máquina pública, do orçamento estadual, das regras do jogo. Do contrário, acaba sendo manipulado — ou simplesmente ignorado dentro da Assembleia.
Representar uma região exige comprometimento constante, e não apenas um giro pré-eleitoral. O bom deputado conhece os gargalos da região — os buracos nas estradas vicinais, a fila de espera por exames, a falta de transporte intermunicipal, os desafios da juventude rural.
E mais: ele ouve a população, mas também sabe decidir com base em dados, planejamento e responsabilidade. Não é apenas uma caixa de ressonância da reclamação do momento. É um articulador de soluções.
Muitos deputados se vangloriam por conseguir verba para um hospital ou para asfalto. Isso é importante, claro. Mas não pode ser o único legado. O que precisamos é de parlamentares que pensem grande: que proponham leis que impulsionem o desenvolvimento regional, fortaleçam o agronegócio, incentivem a economia criativa, melhorem a educação técnica e deem suporte aos pequenos empreendedores do interior.
Marília, por exemplo, é polo regional — mas sem planejamento integrado, vira refém da improvisação.
Quem acompanha a política de verdade sabe que os maiores rombos acontecem longe dos holofotes. Um bom deputado estadual fiscaliza o Executivo, exige prestação de contas, cobra relatórios, questiona contratos e não fecha os olhos para conchavos.
Essa função é muitas vezes esquecida — mas é nela que está o poder de impedir desperdícios e garantir que o dinheiro do estado chegue onde é mais necessário.
Não adianta estar em Marília só no Instagram. O representante de verdade é aquele que visita a Santa Casa sem aviso prévio, que escuta servidores da educação, que dialoga com produtores rurais, com líderes comunitários, com quem está na ponta.
É essa escuta ativa que faz a diferença na hora de votar um projeto ou propor uma lei que vai, de fato, melhorar a vida de quem vive aqui.
Coragem para bater de frente com o governo quando preciso. Coragem para ir contra o próprio partido se for o caso. Coragem para dizer “não” a propostas populistas e defender o que é correto. Coragem para enfrentar grupos que só querem manter o status quo.
Está na hora de pararmos de escolher por amizade, sobrenome, celebridade ou quantidade de outdoors. Deputado estadual é uma das peças mais importantes do jogo político — e pode mudar ou travar o rumo da nossa região por quatro anos.
Precisamos exigir:
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Formação técnica e preparo legislativo
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Comprometimento com a região durante todo o mandato
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Participação em comissões estratégicas
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Propostas estruturais, e não só “emendinhas” pontuais
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Transparência radical
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Articulação com prefeitos e lideranças locais
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Presença física real e constante
Se o candidato ou candidata que você pensa em apoiar não cumpre isso, repense. Porque voto mal dado é projeto mal feito, orçamento mal distribuído, estrada mal cuidada — e futuro mal garantido.