O motorista do ônibus envolvido no grave acidente registrado na madrugada desta segunda-feira (16) foi detido horas após a ocorrência. Claudemir Morais Moura, de 41 anos, conduzia o veículo que tombou na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), provocando a morte de seis passageiros. O grupo havia saído do Maranhão e seguia viagem para trabalhar na safra de maçã em Santa Catarina.
As apurações iniciais apontam que o coletivo apresentava irregularidades mecânicas. Entre os problemas identificados estaria a ausência de um dos pneus no eixo traseiro, o que comprometeria a estabilidade do veículo. A suspeita é de que o condutor tenha decidido continuar o trajeto mesmo após falhas consideradas graves.
O acidente ocorreu por volta da 1h30, no km 266 da rodovia. O ônibus, pertencente à empresa RD Viagens e Turismo, perdeu o controle em um trecho de descida depois que um pneu apresentou problemas, resultando no capotamento.
Quando as equipes de resgate chegaram, encontraram o veículo destruído e vários sobreviventes desorientados às margens da pista. Há relatos de que alguns ocupantes foram lançados para fora do ônibus, que não teria cintos de segurança suficientes para todos.
A prisão foi efetuada sob acusação de dolo eventual — situação em que o responsável assume o risco de produzir o resultado. Para os investigadores, uma série de decisões imprudentes ao longo da viagem contribuiu para a tragédia.
Perícias e depoimentos indicam que um dos pneus traseiros estourou durante o percurso. Após uma tentativa de reparo considerada inadequada, a peça teria sido retirada, e o motorista optou por seguir com apenas um pneu no eixo, mesmo transportando dezenas de trabalhadores.
As vítimas fatais foram identificadas como Raimundo Nonato Sousa da Silva (41 anos), José Milton Ribeiro Reis (49), Robson Rodrigues Alexandrino (25), Edilson da Silva Lima (42), Antonio da Silva Nascimento (47) e Gonçalo Lisboa dos Santos (33).
O segundo motorista que integrava a equipe permanece internado em estado grave na Santa Casa de Marília. Duas crianças resgatadas — de três e 13 anos — foram encaminhadas ao Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente do município.
Além do inquérito policial, o caso passou a ser acompanhado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, diante de indícios de que os trabalhadores teriam sido recrutados sem vínculo formal, o que pode caracterizar crime trabalhista.
O condutor permanece sob custódia no Hospital das Clínicas e deverá passar por audiência de custódia. Em razão da gravidade das acusações, que incluem homicídio e lesão corporal, não há previsão de pagamento de fiança.