Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo; entenda como funciona

doação de órgãos

O renomado apresentador Fausto Silva, popularmente conhecido como Faustão, entrou na fila de espera para um transplante de coração, após sua insuficiência cardíaca se agravar nas últimas semanas. Internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo desde 5 de agosto, o apresentador de 73 anos aguarda por um doador compatível para o procedimento.

O caso de Faustão reflete uma realidade enfrentada por mais de 65 mil brasileiros, que atualmente aguardam por transplantes no país, de acordo com o Ministério da Saúde. A demanda por corações é especialmente crítica, com cerca de 380 pessoas na fila.

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Apesar da grande necessidade, o Brasil mantém o maior sistema público de transplantes do mundo, realizando quase 26 mil cirurgias de transplante em 2022, entre os quais teve como as mais comuns, 13,98 mil de córnea, 5,3 mil transplantes de rim, 3,99 mil de medula óssea e 359 de coração, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Como funciona o sistema de transplantes no Brasil

O primeiro caso de transplante de órgãos no Brasil aconteceu em 1968, mas somente em 1997 o sistema brasileiro conhecido atualmente foi criado. Ele foi inspirado principalmente no modelo utilizado na Espanha, que é considerado um dos melhores do mundo.

O sistema público brasileiro, regulamentado pela Lei 9.434 de 1997, estabelece dois tipos de doadores: vivos e falecidos. Doadores vivos podem ceder rins, parte do fígado, pulmões ou medula óssea. A legislação do país permite que parentes de até quarto grau ou cônjuges sejam autorizados a doar. No entanto, pessoas que não são parentes, podem fazer a doação somente com autorização judicial.

Doadores falecidos que não tenham sofrido parada cardiorrespiratória podem contribuir com tecidos, pulmões, coração, fígado, intestino, pâncreas, rins, vasos, córnea, tendões, ossos e pele. A doação só pode ocorrer após o diagnóstico de morte cerebral e com autorização familiar.

O Brasil conta com mais de 600 hospitais autorizados para realizar transplantes, e o sistema é reconhecido internacionalmente por sua abrangência e qualidade técnica. Os órgãos ou tecidos são avaliados e as comissões das unidades de saúde autorizados cadastram as informações relacionadas às partes do corpo em um programa informatizado que realiza a combinação dos dados do doador com os de possíveis receptores que estão na fila.

Os pacientes são separados de acordo com o órgão que será transplantado, tipos sanguíneos e outras especificações técnicas, como altura e peso do paciente.

Ao combinar um órgão com o receptor, a lista única é levada em consideração, juntamente com critérios específicos. Pacientes em estado crítico, por exemplo, podem receber prioridade de atendimento devido à sua condição clínica, de acordo com o Ministério da Saúde.

Esse processo é gerenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e administrado pelas Centrais de Transplantes estaduais. Além disso, outras entidades, como Organizações de Procura de Órgãos (OPO) e Bancos de Órgãos e Tecidos, também participam na identificação e distribuição dos órgãos.

Após encontrar um receptor adequado, o órgão é encaminhado pela Central de Transplantes ao hospital onde o paciente está internado, a fim de que a equipe de transplante possa realizar a implantação de acordo com a situação clínica.

O tempo de espera varia conforme o órgão. Um coração, por exemplo, pode ser transplantado em até quatro horas após a retirada do doador, enquanto um pulmão ou fígado podem aguardar até seis horas.

Qualquer cidadão pode acessar a lista única de espera e os critérios de prioridade por meio do site do Sistema Nacional de Transplantes ou das secretarias estaduais de saúde.

Em relação aos custos e manutenção, o sistema de distribuição e organização da lista de espera é inteiramente público no Brasil, sendo que mais de 90% das cirurgias são realizadas pelo SUS. Os pacientes recebem assistência completa, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante. Planos privados de saúde em geral não cobrem esse tipo de tratamento, cujos custos variam de R$ 4 mil a R$ 70 mil.

Apesar das realizações, especialistas apontam desafios, como a baixa taxa de doação no Brasil, que tem 13,8 doadores efetivos para cada 1 milhão de habitantes, em comparação com países como Estados Unidos e Espanha, que têm mais de 40 doadores efetivos por milhão de habitantes.

A desigualdade regional também influencia o processo de doação e transplante, com estados menos desenvolvidos enfrentando mais dificuldades. Melhorar a conscientização pública sobre a doação, formação de profissionais especializados e recursos financeiros são áreas que podem ser aprimoradas para tornar o sistema ainda mais eficiente e justo.

Apesar dos desafios, o sistema brasileiro é referência global em termos de atendimento gratuito e justo, servindo de modelo para outros países.

Por fim, leia mais O Mariliense

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