A Ousadia de Ser, Entre Mudanças e Permanências por Cláudia Bento

Você acha que conhece a si mesma? Pense novamente. Estamos prestes a entrar num mar onde as águas nunca são calmas, desafiando os hábitos e posturas que você julgava imutáveis. Este não é um desafio qualquer, e o que descobriremos juntas pode mudar tudo o que você pensava saber sobre si mesma. Desde o nosso primeiro suspiro neste mundo, somos moldadas por uma enxurrada de tradições e crenças. Mas aqui está o segredo que ninguém te contou: essa correnteza pode ser redirecionada. Fique comigo, e eu te mostrarei como.

Talvez você, assim como eu, tenha escutado aquela ideia de que chegamos a este mundo como uma tela em branco, prontas para sermos pintadas pelas experiências da vida. Mas, entre nós, me permita discordar. Acredito piamente que já nascemos carregando as histórias e as lutas de nossos pais, avós e bisavós. E é sobre esses alicerces que começamos a construir o edifício de nossa própria existência.

Já notou como algumas pessoas simplesmente seguem o fluxo da vida, aceitando passivamente tudo o que lhes é entregue? E há também aquelas rebeldes, que rejeitam tudo o que conheciam, buscando se afastar a qualquer custo de suas origens, mas, ironicamente, muitas vezes terminam no mesmo ponto de partida. Mas, veja bem, há um terceiro caminho, talvez o mais desafiador de todos: o de forjar teu próprio destino, respeitando as marcas do passado, mas sem deixar de imprimir tuas próprias pegadas no solo da história.

Admito que ao pensar nisso, uma certa preguiça me invade, daquelas que nos fazem querer recuar para a segurança do nosso conforto conhecido. Mas, ah, não podemos nos dar ao luxo da inércia! Está disposta a alcançar resultados diferentes na sua vida? Então, é hora de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Deixe-me te dizer uma coisa, sair da famosa zona de conforto é mesmo, obviamente, desconfortável e, por vezes, doloroso. Nessa jornada, você pode se deparar com uma estranha no espelho, alguém que jurava conhecer, mas que agora parece uma completa desconhecida: você mesma.

Confesso que no meu caminho, enfrentei medos e angústias que me paralisavam. Houve dias em que me arrastei, outros em que fui a minha própria inimiga, me dizendo que era um caso perdido. Enfrentei meus próprios demônios, dores e sabotadores internos com a ajuda de terapia e uma busca profunda por uma conexão genuína com o divino. Este processo foi repleto de lágrimas e desconforto, mas também de crescimento e descoberta pessoal. Acredito firmemente que a transformação começa e termina conosco, e que somente nós podemos navegar pelas águas turbulentas de nossa própria existência.

Sempre me lembro das palavras de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Essa ideia, de que a vida não demanda a precisão e a previsibilidade de uma navegação cuidadosa, sempre me trouxe conforto. Somos seres gloriosamente imperfeitos, navegando em mares de incertezas com nossas bússolas internas.

Assim, convido você a ousar. Conecte-se com as histórias que formaram quem você é, sorria para você mesma no espelho todos os dias, perdoe-se por falhas passadas e acredite, de todo coração, que é possível moldar um novo amanhã.

E quando a solidão do seu quarto parecer grande demais, quando o silêncio gritar em seus ouvidos, ouça a voz tranquila que vem de dentro, talvez seja um sussurro divino, te guiando para águas mais calmas.

 

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