Cuidar da saúde mental é cuidar de pessoas e de suas relações afetivas. Em Marília, a Secretaria Municipal da Saúde, por meio do Núcleo de Saúde Mental e da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), articula ações de acolhimento, prevenção e valorização da vida, com atenção às necessidades de cada pessoa e ao cuidado no território.
De janeiro a setembro de 2026, Marília registrou redução de aproximadamente 36% nas perdas de vidas por causas autoprovocadas em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados apresentados pela Vigilância Epidemiológica (VE) – órgão vinculado à Secretaria Municipal da Saúde.
De acordo com a Vigilância Epidemiológica, de janeiro a setembro do ano passado, foram registrados 22 casos em Marília. No mesmo período deste ano, houve 14 situações de autoextermínio.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), vínculos de confiança, condições dignas de vida, ambientes seguros, participação comunitária e acesso oportuno à atenção em saúde podem fortalecer a proteção psicossocial. Promover saúde mental é, portanto, uma responsabilidade compartilhada entre serviços públicos, famílias e sociedade.
Outro ponto importante é o Efeito Papageno que descreve o potencial protetivo de relatos responsáveis sobre pessoas que enfrentaram crises e encontraram alternativas, apoio e caminhos de recuperação. A boa comunicação social também pode favorecer a busca por ajuda quando evita o sensacionalismo e apresenta possibilidades concretas de cuidado.
Fortalecer vínculos também é prevenir
A prevenção também se constrói na família, na escola, no trabalho e nos espaços de convivência. Relações afetivas, atividades culturais e esportivas, proteção contra violências e participação social ajudam a enfrentar o isolamento. A espiritualidade pode ser fonte de apoio quando faz sentido para a própria pessoa e respeita sua liberdade de crença.
“A saúde mental precisa ser cuidada muito antes do surgimento do sofrimento emocional. Ninguém constrói saúde mental sozinho: vínculos afetivos, pertencimento social e ambientes acolhedores são importantes fatores de proteção. Por isso, nosso compromisso vai além do atendimento em momentos de crise. Queremos fortalecer uma rede que promova escuta, convivência, inclusão e acesso ao cuidado. Promover saúde mental é construir uma sociedade em que as pessoas se sintam respeitadas, acolhidas e saibam que não estão sozinhas”, afirma Fabiana Rosa, enfermeira do Núcleo de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde de Marília.
E acrescenta. “Na prática, a proteção pode ser fortalecida por rodas de conversa, formação das equipes, ações contra violências, atividades de convivência e articulação entre Atenção Primária da Saúde, CAPS, educação e assistência social. Essas iniciativas devem ser planejadas e avaliadas continuamente”.
Rede de Atenção Psicossocial: continuidade e cuidado compartilhado
Em Marília, a Raps reúne a Atenção Primária à Saúde, com 58 unidades, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), a urgência e emergência, o SAMU e a atenção hospitalar. O cuidado compartilhado busca garantir acolhimento, acompanhamento e continuidade da atenção.
O Comitê Municipal de Valorização à Vida (CMVV), instituído em 2024 em conjunto com Núcleo de Saú
“As nossas unidades de saúde estão de portas abertas para o acolhimento e a escuta qualificada das pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre os desafios que a nossa secretaria tem para os próximos meses, um deles é o de melhorar ainda mais os índices de cobertura da nossa rede de apoio à saúde mental. E nós estamos trabalhando para que isto aconteça o mais rápido possível”, enfatiza a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio.
Entre as iniciativas promovidas pela atual gestão municipal estão: a reorganização dos serviços, a autorização para contratação de profissionais especializados, a construção do CAPS III, com funcionamento previsto para 24 horas, bem como a capacitação das equipes.
“A saúde é prioridade no nosso governo. E a nossa administração vai continuar investindo no setor para assegurar o bem-estar da população e melhorar cada vez mais a sua qualidade de vida. É este cuidado que vamos oferecer para todos”, ressalta o prefeito Vinicius Camarinha.
Apoio digital: mais um caminho para o acolhimento
O Ministério da Saúde disponibiliza o Meu SUS Digital, que reúne informações e serviços de saúde. No aplicativo, o Pode Falar oferece escuta e orientação a adolescentes e jovens de 13 a 24 anos, por meio de “Miniapps”, de segunda a sábado, das 8h às 22h (horário de Brasília). O Acolhe Mais+ oferece teleatendimento em saúde mental a públicos específicos, como mulheres em situação de violência e cuidadoras de pessoas com deficiência ou doenças raras. A disponibilidade e os critérios de acesso devem ser consultados nos canais oficiais do Ministério da Saúde.
“O apoio digital complementa, mas não substitui o cuidado presencial ou os serviços de urgência”, finaliza Fabiana Rosa.
Onde buscar atendimento em Marília:
Caps II Com Viver – Herculano Vasques: Adultos com transtornos mentais graves e persistentes. Rua Marquês de São Vicente, 322, Maria Izabel. (14) 3451-4028 / 3434-2037. Segunda a sexta, 7h às 17h;
Caps IJ Catavento: Crianças e adolescentes com sofrimento ou transtornos mentais graves e persistentes. Rua Tupã, 446, Salgado Filho. (14) 3451-1660. Segunda a sexta, 7h às 17h;
Caps AD: Pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. Avenida Santo Antônio, 1.669. (14) 3434-2549. Segunda a sexta, 7h às 17h;
UPA Norte: Rua João Caliman, 110, Parque das Nações. (14) 3316-2237. Atendimento 24h;
UPA Sul: Rua Antônio Pereira da Silva, 288, Vila Hípica. (14) 3451-4551. Atendimento 24h;
SAMU: Urgências e emergências, inclusive risco imediato à vida: 192. Atendimento 24h;
UBS e USF: Unidades de referência em geral das 7h às 17h e com as: UBS Nova Marília, UBS Chico Mendes, UBS Castelo Branco e USF Jardim Maracá com horários estendidos até 22h – atendimento psicossocial por meio de profissionais especializados;
CVV (Comitê de Valorização da Vida): Apoio emocional gratuito e sigiloso: 188, 24h;
Se houver risco imediato à vida ou situação de emergência, procure um serviço de urgência ou acione o Samu pelo 192. Você não precisa enfrentar esse momento sem apoio.
Fotos: Divulgação