Quanto tempo dura uma relação? Por que as relações duradouras estão cada vez menos frequente? Quando foi que nós, como sociedade, nos desconectamos um do outro e nos isolamos em nossa singularidade?
Assim como no supermercado analisamos o que vamos comprar e ficamos atentos à embalagem para conferir o prazo de validade do produto. Nos habituamos a trazer esse método para nossos relacionamentos interpessoais.
Trouxemos para nossas mesas e sofás a psicologia do consumo. Permitimos que o desejo pelo próximo lançamento diluísse os nossos traquejos sociais.
Acompanhe o raciocínio, quando compramos um celular ficamos muito empolgados com tudo o que ele oferece. A bateria tem longa duração, a tela está brilhando e já até colocamos uma película adequada. A memória dele é maior. Enfim, tudo é incrível.
Mas a medida que o tempo vai passando, o cuidado com o celular não é mais o mesmo, a tela já está sem película, a bateria já não dura mais. E a memória? Ah, já foi pro espaço. Em tão pouco tempo, o que era motivo de muita euforia, se tornou ansiedade. Agora, não compensa mais “mandar arrumar”, é preciso trocar.
E esse mesmo pensamento tem invadido os relacionamentos. Onde tudo no começo é motivo para festa, com o passar dos dias a relação começa a se desgastar. E não há mais razões para fazer uma manutenção na relação. Uma vez que já estamos tão acostumados com essa situação: se algo está apresentando problemas e não está funcionando como o esperado, o entendimento é de que não vale a pena consertar, é preciso de outro, é preciso trocar.
Assim, as individualidades se sobressaem. Não há mais concessões. A cultura da troca e do consumismo que prevalece nas relações comerciais também tem sido soberana nas relações pessoais.
É preciso de maturidade para lidar com desgastes, desconfortos e situações adversas. Mas, não é totalmente o oposto que compramos? Queremos itens novos, que nos tragam confortos e nos promovam sensações agradáveis.
Sem perceber, nos moldamos para uma realidade onde o confrontamento de ideias, uma discordância está mais parecida à uma traição do que um mero contraponto.
Dessa maneira, criamos uma bolha a nossa volta. E se alguém ousar em discordar não haverá nem tempo de ser ouvido, será taxado como tóxico e será excluído. Perdemos o diálogo.
Esse fenômeno também pode ser notado no mercado de trabalho. É cada vez mais incomum encontrar alguém que trabalhe em uma mesma empresa durante muito tempo. A troca de emprego tem sido comum. Outro fator que corrobora é a transição de carreira. A cultura mudou.
As relações ficaram mais rasas para não dizer supérfluas. Num mundo de relações breves e relacionamentos curtos é preciso de muita coragem e esforço para manter um relacionamento perene e duradouro.
Que a coragem jamais nos falte, que o diálogo jamais seja esquecido e que o elo que sustente as nossas relações seja fruto de um vínculo construído em amor.