A dor da solidão, por Sandra Campos

Todos os dias converso com muitas pessoas e o desabafo é o mesmo: a dor da solidão. É uma dor real, um vazio no peito que independe de idade, beleza, sexo ou condição financeira. Ela simplesmente machuca.

​            Existe uma solidão que considero a pior de todas: a solidão a dois. É o abandono acompanhado. Você está no sofá ao lado da pessoa, mas ela é só um corpo presente, hipnotizada pelo celular com um sorriso que nunca é para você. O desprezo e o descaso ferem profundamente a alma. Muitos casais vivem esse calvário por anos, presos pela rotina, pelos filhos ou pela dependência financeira. Eu ainda acredito que, se houver amor, é possível recomeçar com empatia. Mas, quando o afeto acaba, a relação fale dia a dia. Ninguém merece viver infeliz; nesses casos, o divórcio é o recomeço, pois a dignidade deve vir primeiro.

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​            O segundo tipo é a solidão de quem espera um grande amor que parece nunca chegar. Nós idealizamos alguém e, na busca, nos apegamos a pessoas que não mudam. Hoje, virou rotina — principalmente entre os homens — demonstrar uma conexão maravilhosa por mensagens, fazer o encontro parecer perfeito e, no dia seguinte, simplesmente sumir sem dar explicações. Ficamos com um ponto de interrogação na mente, sem respostas para tanta frieza.

​            Sabe, eu costumo dizer que temos a tendência de buscar nos outros o que vemos no espelho. Eu procuro a Sandra nas pessoas, e você busca a si mesma. Por termos amor e carinho para dar, idealizamos encontrar o mesmo nos outros. Muitas mulheres me dizem que desistiram do amor, mas, no fundo, todo ser humano quer se sentir acolhido, valorizado e protegido.

​            O que fazer com a solidão? A resposta exata eu não tenho, mas sei que devemos ser felizes por nós mesmos, embora uma pessoa especial faça falta. Creia: seu grande amor vai chegar e você verá que quem passou foi só aprendizado.

​Sandra Campos conhece na pele a dor e a transformação que nascem do sofrimento profundo. Ela perdeu seu filho de 24 anos para o suicídio. Em vez de se fechar no luto, transformou a saudade em propósito e atua como ativista pela vida através do projeto “Não te julgo, te ajudo!”. Sandra oferece acolhimento. Se o peso estiver insuportável, não passe por isso sozinho. WhatsApp: (11) 94813-7799. Você não está sozinho.

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