Uma idosa de 83 anos que estava internada em estado grave após deixar uma clínica particular de cuidados em Tupã (SP) morreu na noite de segunda-feira (16). Juracy Maria da Conceição sofreu uma parada cardíaca enquanto permanecia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa do município.
Ela havia sido hospitalizada depois que familiares identificaram ferimentos pelo corpo, além de sinais de sedação e áreas com necrose. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil após suspeitas de maus-tratos na instituição onde a paciente estava anteriormente.
Em comunicado, a clínica informou que a idosa já teria sido admitida com pequenas lesões e que recebeu acompanhamento médico durante todo o período em que permaneceu no local. Segundo a empresa, o encaminhamento ao hospital ocorreu após piora no estado de saúde.
Na manhã desta terça-feira (17), uma sobrinha da vítima formalizou denúncia junto ao Ministério Público, relatando que os machucados foram percebidos durante visitas. Outra idosa, de 92 anos, também teria apresentado sintomas semelhantes após passar pela mesma clínica.
A empresa responsável afirmou ainda que o local recebeu nova inspeção da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária. De acordo com a nota, foram analisadas tanto as condições de atendimento quanto a documentação da unidade, sem que fossem constatadas irregularidades.
As investigações tiveram início após duas idosas darem entrada no hospital em estado grave, apresentando lesões pelo corpo, necrose e indícios de sedação. Uma delas havia sido levada à clínica após cirurgia no fêmur e, dias depois, familiares notaram agravamento do quadro, incluindo feridas em diferentes regiões.
Um boletim de ocorrência foi registrado, e a vítima passou por exame de corpo de delito. Durante a internação, surgiu a informação de outra paciente em situação semelhante.
Segundo relatos de familiares dessa segunda idosa, ela demonstrava comportamento incomum durante visitas, como apatia e sonolência frequentes, o que levantou a suspeita de uso de medicamentos sedativos sem prescrição. Após a suspensão dos remédios administrados pela clínica, a paciente voltou a interagir normalmente, embora ainda apresentasse lesões e infecção pulmonar.
Diante das denúncias, a Polícia Civil realizou uma vistoria no local, onde havia 25 idosos hospedados. Alguns aparentavam estar sob efeito de medicação.
O caso foi registrado como exposição a risco, omissão de socorro e lesão corporal. A continuidade das investigações depende dos resultados dos exames periciais.
Em nota, a clínica afirmou que teve conhecimento de apenas uma denúncia formal envolvendo uma paciente atendida entre fevereiro e março deste ano. A empresa reiterou que possui autorização para funcionamento e que cumpre todas as exigências legais, incluindo fiscalizações regulares de órgãos competentes.