Com oito meses restantes para as eleições e a pré-campanha a menos de dois meses de começar oficialmente, o cenário político em Marília entra em uma fase decisiva. O debate sobre a representação federal da cidade volta à pauta com força, reacendendo uma questão histórica: por que um dos maiores eleitorados do interior paulista segue sem um deputado federal genuinamente mariliense?
Desde 2013, Marília não consegue eleger um representante próprio para a Câmara dos Deputados. Ao longo desse período, o município acumulou protagonismo regional, cresceu eleitoralmente, mas viu seus votos serem diluídos entre diferentes projetos — quase sempre favorecendo candidatos de fora.
O cenário atual da disputa
Hoje, o tabuleiro político apresenta quatro nomes com inserção direta no eleitorado local:
Jean Garcia (Garcia da Hadassa) – Republicanos
Capitão Augusto – PL
Juliano da Campestre – PRD
Ulisses do Rodeio – Solidariedade
Entre eles, Ulisses do Rodeio e Juliano da Campestre se destacam como os pré-candidatos marilienses na disputa para deputado federal. Esse fator, que pode parecer apenas simbólico à primeira vista, tende a ganhar peso conforme a campanha avança e o eleitor passa a discutir identidade, pertencimento e representatividade.17:50:27
Voto existe, falta concentração
Com 169.351 eleitores aptos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marília tem força suficiente para eleger ao menos um deputado federal. O problema, historicamente, não é a ausência de votos, mas a pulverização eleitoral, que enfraquece candidaturas locais e inviabiliza projetos próprios.
Nesse contexto, a candidatura de Ulisses do Rodeio surge como uma tentativa clara de romper esse ciclo. Ao se apresentar como um nome da cidade, com base local e discurso voltado para a região Centro-Oeste e Oeste Paulista, ele busca ocupar um espaço que Marília não consegue consolidar há mais de uma década.
O peso político do prefeito e a escolha estratégica
Nenhuma análise eleitoral em Marília ignora o papel do prefeito Vinicius Camarinha, considerado o principal articulador político da cidade. Seu grupo detém influência decisiva sobre lideranças, bases eleitorais e estruturas partidárias.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o apoio do prefeito será o fiel da balança para transformar uma pré-candidatura em um projeto realmente competitivo. Até o momento, o cenário aponta para duas opções concretas dentro desse xadrez político:
Ulisses do Rodeio, o nome novo, mariliense, que aposta na unificação do voto local e no discurso de representatividade regional;
Jean Garcia, empresário com estrutura partidária mais consolidada e atuação que ultrapassa os limites do município.
A eventual escolha do grupo do prefeito pode redefinir o jogo, influenciando alianças, tempo de exposição e, principalmente, a capacidade de concentração de votos dentro da cidade.
Um momento decisivo para Marília
Com a pré-campanha prestes a começar e o calendário eleitoral avançando rapidamente, Marília se aproxima de uma encruzilhada política. Pela primeira vez em anos, há um nome local colocado de forma clara no debate federal, disposto a disputar espaço e narrativa.
A grande pergunta permanece: a cidade vai, finalmente, apostar em um projeto próprio ou repetirá o roteiro de fragmentação que a mantém fora do Congresso Nacional desde 2013?
Os próximos meses serão decisivos. No tabuleiro político, as peças já estão se movendo — e, desta vez, Marília pode estar mais perto de dar o xeque-mate que tanto espera.