Quando o descanso vira estresse: se não planejadas, as férias podem ser um risco para cães e gatos

As férias de verão são sinônimo de descanso para muitas famílias, mas podem representar riscos para cães e gatos se os responsáveis não se atentarem aos cuidados necessários. Mudança de ambiente, alterações na rotina, exposição prolongada ao calor e ausência dos responsáveis exigem planejamento para garantir segurança e bem-estar aos animais.

“Um exame clínico completo antes da viagem ou da hospedagem permite identificar condições que ainda não se manifestaram, mas que podem comprometer a saúde do animal se forem ignoradas. Além disso, o check-up garante a atualização de protocolos preventivos importantes”, explica a médica-veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de Andrade.

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Viagem ou hospedagem: cada escolha exige uma preparação específica

Quando o pet vai acompanhar a família na viagem, é essencial confirmar se o local de hospedagem aceita animais, bem como número de pets, espécies e portes permitidos. Também é importante verificar quais são as exigências sanitárias e a infraestrutura disponível para recebê-los. O responsável deve ainda se informar sobre a incidência de doenças locais, como a leishmaniose e a dirofilariose (verme do coração), que exigem prevenção antecipada.

Nos casos em que o animal permanece sob cuidados de terceiros, seja em hotéis especializados ou com pet sitters, a escolha deve ser feita com antecedência. A orientação é permitir que o animal tenha contato prévio com o ambiente ou o profissional, reduzindo o estresse. Para gatos e cães com dificuldade de socialização, o atendimento domiciliar costuma ser mais indicado.

“É importante deixar os contatos da clínica e do veterinário que acompanha o animal. Em caso de emergência, esse histórico clínico pode acelerar o atendimento e evitar complicações”, reforça Farah.

No trajeto, segurança e conforto fazem a diferença

Durante o deslocamento, o veículo deve estar climatizado e as paradas devem ser programadas para que o animal possa se hidratar e fazer suas necessidades com tranquilidade. O uso de caixa de transporte ou cinto de segurança preso ao peitoral é obrigatório e evita acidentes. “Vale lembrar que porta-malas e caçamba de veículos não são lugares para pets, e coleiras não são indicadas para uso com guia e cinto, pois se houver impacto ou freada brusca, podem causar estrangulamento, asfixia ou lesões na cervical. Deixe a coleira para colocar a identificação do pet e o peitoral para segurança durante o transporte”.

Entre os itens indispensáveis para a bagagem do pet estão: ração ou alimentação para todo o período, comedouros, bebedouros, brinquedos e objetos familiares, cama ou manta de costume, coleira com identificação atualizada, guia, peitoral, medicamentos de uso contínuo ou preventivo, protetor solar veterinário, repelentes e antipulgas.

A especialista acrescenta que, durante a consulta preventiva, o médico-veterinário pode indicar medicamentos de suporte, como antieméticos, antialérgicos, antitóxicos e ansiolíticos, conforme o perfil clínico do animal, reduzindo os riscos durante o período fora de casa.

Altas temperaturas aumentam riscos à saúde dos animais

O calor excessivo é um fator crítico para cães e gatos, especialmente animais braquicefálicos, idosos, filhotes e portadores de doenças crônicas. Por isso, os animais devem ser mantidos em ambientes frescos e bem ventilados (a temperatura ideal é de aproximadamente 24 °C), com acesso à sombra e a superfícies frescas. A hidratação deve ser incentivada com água fresca trocada várias vezes ao dia. Para os gatos, fontes de água e pratos largos são boas estratégias para estimular o consumo.

O uso de protetor solar veterinário também deve fazer parte da rotina. A aplicação deve ser feita em áreas de pele mais expostas, como focinho, pontas das orelhas e abdômen. “Além de prevenir queimaduras, o protetor solar contribui para reduzir o risco de câncer de pele. Recentemente, a DrogaVET lançou o protetor solar colorido em forma de bastão. A forma farmacêutica facilita a aplicação e as cores, a visualização de quando o produto precisa ser reaplicado, além de incrementar o visual dos pets”, comenta Farah.

As patas também merecem atenção. O contato com o chão quente pode provocar queimaduras e fissuras dolorosas. A orientação é realizar o teste do tato: se o responsável não conseguir manter a palma da mão no chão por mais de alguns segundos, o passeio deve ser adiado. Após o retorno, é recomendada a limpeza das patas com lenços apropriados e a aplicação de hidratante específico para pets.

Verão é período de atenção redobrada à prevenção de parasitas

Calor e umidade favorecem a proliferação de parasitas como pulgas, carrapatos e mosquitos, aumentando o risco de infecções. Além de causarem desconforto e coceiras, esses vetores estão associados a doenças graves como erliquiose, babesiose, dirofilariose e leishmaniose.

Manter os protocolos preventivos com antiparasitários, vermífugos e repelentes é essencial. “A manipulação farmacêutica permite ajustar a dose com precisão, combinar princípios ativos e escolher formas que favorecem a administração, como biscoitos palatáveis ou molhos saborizados. Isso melhora a adesão ao tratamento e reduz riscos ao longo da temporada”, finaliza Farah.

A prevenção, mais do que um gasto, é um investimento em bem-estar e segurança para que as férias sejam realmente um período de descanso para todos.

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