O papel do cirurgião-dentista no tratamento da hanseníase

Janeiro Roxo marca a campanha anual de combate à hanseníase. A mobilização ocorre anualmente com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença. O atendimento odontológico direcionado ao paciente com hanseníase é fundamental, uma vez que a doença muitas vezes apresenta manifestações na região da boca e rosto de forma geral.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium Leprae e afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo variar desde uma infecção localizada até o comprometimento sistêmico. A forma de transmitir a doença ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, elimina o bacilo pelas vias aéreas superiores, seja por espirro, tosse ou fala, a partir de um contato próximo e prolongado.

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O cirurgião-dentista, especialista em Patologia Oral e Maxilofacial e mestre em Clínica Médica, Dr. Fabio Coracin, explica que a hanseníase tem grande relevância para a Odontologia por atingir a região da boca e da face com frequência. “Quando há a presença de manifestações orofaciais, podemos encontrar nódulos intraorais no palato, dorso da língua, lábios e faringe, e alterações esqueléticas que podem causar destruição do processo alveolar anterior, associada à perda ou mobilidade dos incisivos superiores”.

De acordo com o especialista, algumas manifestações orofaciais associadas à hanseníase podem incluir colapso do osso nasal, atrofia da espinha nasal, além de manchas na face.

As queixas orofaciais da hanseníase são comuns durante o curso da doença. Segundo o Dr. Fabio, por apresentar potencial de lesão de nervos periféricos, a doença pode provocar fraqueza muscular e deformidades. Por isso, é importante destacar que os impactos da hanseníase não são apenas físicos, mas também psicológicos. Isto se torna desafiador para os cirurgiões-dentistas, uma vez que os principais nervos afetados são o trigêmeo e o facial. “Esta alteração afeta a cavidade oral devido à parestesia no lado comprometido culminando com provável alteração na fala e na mastigação”.

Abordagem odontológica

Em relação ao papel do cirurgião-dentista frente a um indivíduo com hanseníase, Dr. Fabio informa que os profissionais devem sempre considerar um bom exame clínico e, principalmente, a busca de sinais que leve a fazer o julgamento propedêutico do que foi obtido. “O profissional deve ter em mente que, no exame físico intra-oral, poderá encontrar principalmente úlceras e feridas. Os sinais e sintomas da hanseníase na cavidade bucal são inespecíficos e, do ponto de vista odontológico, o manejo do indivíduo deve incluir a adaptação dos procedimentos de higiene oral de acordo com o nível de incapacidade do paciente decorrente do comprometimento dos nervos periféricos e, também, para o tratamento de lesões de tecidos moles”.

Por fim, Dr. Fabio observa que todos os pacientes devem receber atendimento odontológico de rotina utilizando o controle de infecção padrão, pois a doença apresenta baixas taxas de infecção.

 

Por fim, leia mais O Mariliense

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