No plenário da Câmara de Jucás, no interior do Ceará, o presidente da casa, vereador Eúde Lucas, fez um discurso que evidenciou sua falta de conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma condição que afeta aproximadamente dois milhões de brasileiros. Durante sua fala nesta quarta-feira (20), o parlamentar inicialmente desconsiderou as mensagens de apoio à atriz Letícia Sabatella, que no último domingo (17), no programa Fantástico, compartilhou o diagnóstico de TEA que recebeu aos 52 anos. Em seguida, o vereador sugeriu que a condição poderia ser “curada” com castigos físicos.
Ele afirmou: “Tem uma declaração que os artistas, os autores, sei lá… tá rondando. Eu digo ‘eu era autista’, só que meu pai tirou o autista na peia. Naquele tempo tirava autista era na chibata. Porque era um menino meio traquina”.
Em nota, Eúde Lucas declarou que não teve a intenção de ofender, admitiu ter se expressado de forma equivocada e lamentou profundamente que suas palavras tenham sido mal interpretadas. O vereador também esclareceu que estava se referindo ao seu próprio passado, quando recebeu esse tipo de tratamento de seu pai.
De acordo com o Ministério da Saúde, o TEA é um “distúrbio caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento”, que pode resultar em modificações na comunicação, interação social e comportamento. É comum que pessoas diagnosticadas com TEA apresentem comportamentos repetitivos, fixação em objetos específicos e limitação de interesses.
Há indivíduos com graus leves dentro do espectro que vivem de maneira “totalmente independente, enfrentando discretas dificuldades de adaptação”. Por outro lado, existem aqueles com níveis mais avançados que necessitam de “total dependência” para realizar atividades cotidianas.
Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento para pessoas com TEA inclui acolhimento e dedicação. “O cuidado às pessoas com TEA exige da família longos e contínuos períodos de dedicação, muitas vezes levando à redução das atividades de trabalho e lazer, e até negligência com a saúde dos outros membros da família”.
As diretrizes do ministério sobre o tratamento de pessoas autistas não mencionam em nenhum momento o uso de “peia” ou “chibata”.
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