Após a passagem do ciclone extratropical na última semana, mais de 29 mil animais de criação morreram no Rio Grande do Sul, conforme revelado por um relatório preliminar sobre os danos abrangendo infraestrutura, produção primária, pecuária e pastagens no estado.
O levantamento foi conduzido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
Nessa quarta-feira (13), uma nova frente fria, acompanhada de um segundo ciclone extratropical, provocou um retorno das chuvas nas cidades já afetadas pelo ciclone no Rio Grande do Sul, rumando em direção ao Oceano Atlântico.
Os estragos impressionam: o estudo abarca 50 municípios, 665 localidades e 10.787 propriedades. Entre as vítimas da tragédia, encontram-se bovinos de corte e leite, suínos e aves, totalizando 29.356 animais falecidos. Além disso, os 346 criadores impactados perderam 35,5 toneladas de peixe e 370 caixas de abelhas.
Os produtores de leite enfrentam uma estimativa de 327,5 mil litros não coletados, prejudicando 813 pecuaristas.
Para os animais que sobreviveram, a provisão de alimento será um desafio árduo. A devastação atingiu 1.880 hectares de pastagem nativa, 10.730 hectares de pastagem cultivada e 50 hectares de silagem, afetando um total de 1.022 produtores.
Quanto às colheitas, os prejuízos recaíram principalmente sobre o milho e o trigo, com um total de 1.616 produtores na categoria de grãos enfrentando perdas. Outras culturas também foram impactadas, incluindo o fumo, afetando um total de 2.691 agricultores. A fruticultura contabilizou 88 produtores com grandes perdas de laranja e uva, enquanto na área de hortaliças, 198 agricultores sofreram danos. Houve ainda a devastação de 35,5 mil pés de eucalipto.
Além das plantações, 1.192 residências foram prejudicadas pelo ciclone. Os agricultores também registraram a perda de 621 galpões, 12 armazéns, 116 silos, 25 estufas de fumo, 25 estufas/túneis plásticos para horticultura, 128 açudes (piscicultura/irrigação), 53 aviários e 45 chiqueiros.
A infraestrutura também foi severamente afetada, com 4.456,8 quilômetros de estradas de terra danificadas, o que dificulta o escoamento dos alimentos que não foram perdidos em 197 comunidades.
Em termos financeiros, as perdas na agricultura já ultrapassam a marca de R$ 1,1 bilhão, segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Na pecuária, o prejuízo está estimado em R$ 81,6 milhões.
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