Carlos França diz que Brasil “não pode esperar” por acordo UE-Mercosul

O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, disse nesta sexta-feira, em Madri, que o Brasil “não pode esperar” por um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que ficou travado em duas décadas de negociações.

“Analisando os números do comércio exterior brasileiro em 2021, o Brasil exportou mais para a Ásia, sem incluir Japão e China, do que para a União Europeia”, disse França em entrevista à Agência Efe na sede da Casa de América, no final de sua viagem à Espanha, que ele descreveu como “muito bem sucedida”.

O chanceler garantiu que o Brasil “não quer fugir de seus compromissos ambientais”, um dos obstáculos para chegar a este acordo devido à oposição de vários países europeus a políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema.

“Pelo contrário, achamos que este acordo é vantajoso, não apenas para o Brasil, mas também para a UE, e tenho dúvidas se ainda mais”, comentou, além de ressaltar que, para ele, os obstáculos para se chegar a um entendimento têm mais relação com a proteção aos produtores domésticos europeus do que com temas ambientais.

PROCESSO LENTO E ALÉM DAS ELEIÇÕES.

França também previu que a solução levará tempo para chegar, “porque são processos lentos”, e podem não ser resolvidos antes das eleições presidenciais de outubro no Brasil.

“Acredito que este é um tema que deve ser separado do tema eleitoral, embora a situação interna tenha uma grande influência no trâmite”, disse.

“Estamos falando do meio ambiente, e acho que há uma coisa que é importante ressaltar: água e terra são recursos escassos, e os estamos utilizando de forma ineficiente. Se há uma preocupação ambiental, o melhor para a UE e o Mercosul seria investir onde há maior eficiência produtiva, e isso é na América do Sul e no Brasil”, ressaltou França.

Além da falta de um acordo com a UE, o Mercosul também está passando por conflitos internos, como as negociações para um acordo bilateral entre Uruguai e China.

“O Mercosul é uma bandeira comum. O acordo bilateral entre o Uruguai e a China ainda não foi concluído. Falei com o chanceler uruguaio, Francisco Bustillo, e ele nos disse que, uma vez que o acordo esteja próximo de ser concluído, vão se reunir com os parceiros e ver como ele pode ser incluído na multilateralidade”, afirmou.

Além disso, França enfatizou que o governo brasileiro considera necessário dar “um estímulo à competitividade do bloco”.

“E isso se consegue com uma redução moderada da Tarifa Externa Comum (TEC), para mostrar aos produtores nacionais que a eficiência deve ser melhorada para que os produtos vindos do exterior acelerem a competitividade”, disse.

VISITA DE BOLSONARO À RÚSSIA SEM RELAÇÃO COM UCRÂNIA.

Na próxima semana, Bolsonaro visitará a Rússia a convite do presidente do país, Vladimir Putin. O ministro das Relações Exteriores considera a viagem “um processo relacionado apenas às relações bilaterais entre os dois países”.

“A Rússia é parceira estratégica do Brasil e tem um importante peso no cenário mundial, mas a visita do presidente não tem nada a ver com a atual situação de tensão na região, que deveria ser resolvida no Conselho de Segurança das Nações Unidas”, afirmou.

França explicou que teve conversas com os ministros das Relações Exteriores de Estados Unidos, Rússia e Ucrânia e lhes transmitiu essa necessidade.

“É preciso ter todas as avaliações, as três, e todos os pontos de vista têm que ser considerados”, disse.

Ainda de acordo com ele, o país quer manter essa mesma posição neutra em relação ao avanço de governos de esquerda na América Latina.

“No Brasil não pensamos muito, pelo menos no Ministério das Relações Exteriores, em esquerda ou direita, como algo que nos divida. O conceito de democracia é que essa mudança deve ser permitida, que as pessoas devem decidir”, argumentou.

França destacou que o Brasil defende conceitos muito claros, como democracia, direitos humanos e liberdade de imprensa e política, e citou como exemplo a reunião realizada ontem entre Bolsonaro e o presidente do Peru, Pedro Castillo, em Rondônia, onde discutiram temas como pecuária, segurança nas fronteiras, a luta conjunta contra o tráfico de drogas e a integração energética, entre outros.

“Há uma ampla gama de questões em que podemos trabalhar, mas o que precisamos para seguir em frente é o que temos em comum”, concluiu.

 

Por fim, leia mais O Mariliense

Fonte: EFE

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